Símbolo

Deixei levar-me totalmente pela intuição. Comecei por preencher uma malha com um tipo de serragem e depois como se estivesse preparando um prato, ou criando um perfume, comecei a “temperar” o objeto com ervas e condimentos que exalam um cheiro agradável ao se aproximar. Usei cravo, canela, curry e alecrim. Pra finalizar amarrei a outra extremidade da malha com uma fita vermelha que se liga a uma rosa também vermelha.

Depois vem o racional:
A canela é uma árvore originária do Ceilão (atual Sri-Lanka), da Birmânia e da Índia e conhecida há mais de 2500 anos a.C. pelos chineses. Seu nome científico, "cinnamomum", segundo referências, é derivado da palavra indonésia "kayu manis", que significa "madeira doce". Considerada símbolo da sabedoria, a canela foi usada na Antigüidade pelos gregos, romanos e hebreus para aromatizar o vinho e com fins religiosos na Índia e na China. Simbolicamente, é uma especiaria ligada ao amor, sendo empregada muitas vezes como ingrediente para perfumes mágicos e poções para conquistar a pessoa amada.

O Alecrim é originário do Mediterrâneo e sempre foi muito apreciado por curandeiros e feiticeiros por suas virtudes aromáticas e medicinais. Emblema do amor e símbolo da saudade, o alecrim é considerado uma planta mágica contra mau-olhado. Na europa eram usadas nas grinaldas das noivas para simbolizar o amor. Na Igreja Ortodoxa, até hoje se utiliza seu óleo para unção. Tem a fama de reforçar a memória, trazer saúde e de acalmar.

O Cravo-da-Índia é o botão seco de uma pequena flor cor-de-rosa muito perfumada, que é cultivada há séculos nas Ilhas Molucas, na Ásia, que tem propriedades analgésicas, purifica para despertar força, espiritualidade, sensualidade e atração. Seu nome científico é Eugenia Caryophyllata, que deriva da palavra grega Karyophyllon, que significa “folha-noz”. Da China veio a primeira indicação de seu uso como condimento, remédio e elemento básico para elaboração de perfumes especiais e incensos aromáticos. Na Pérsia, entrava na elaboração de filtros do amor, como símbolo do erotismo.

A rosa é considerada como um dos símbolos do amor e do processo de mudança, da transmutação. Seu nome vem do latim rosa, que por sua vez procede do grego rhodon numa referência a Rodes, ilha coberta de rosas. Podemos encontrá-los nos grandes mitos da humanidade, em alguns contos infantis tradicionais, ou ainda, nas cartas do Tarô. Como as lendas que falam do nascimento da rosa vermelha, símbolo de regeneração numa das versões da mitologia grega conta que ela teria sido tingida com o sangue de Adônis, mortalmente ferido, e o de sua amante, Afrodite, que, ao correr em seu socorro, teria se machucado num arbusto de rosas brancas. Na Idade Média, a literatura se apoderou da rosa, com o alegórico Romance da rosa, de Guillaume de Lorris, um best-seller do século XIII, verdadeiro manual de amor cortês, no qual a flor representa a amante. O Renascimento associava à flor o amor eterno. Foram pétalas de rosa esvoaçantes que Sandro Botticelli pintou em 1485 em seu quadro O nascimento de Vênus. A Primavera, do mesmo artista, punha no primeiro plano a deusa Flora espalhando flores pelo mundo e usando uma trança de rosas. Pode ser apreendida como um símbolo de harmonização entre o "saber dar" e o "saber receber", ou ainda, o abrir do coração.

Assim, concluo que é algo que representa o amor. Uma forma fálica, com muitos elementos que remete tanto ao amor sensual, quanto ao amor fraterno e porque não espiritual. A inigualável grandiosidade e poder de síntese dos símbolos.