OCTÓLOGO

Admirada por compositores contemporâneos como John Cage (1912 - 1992), Morton Feldman (1926 - 1987), György Ligeti (1923 - 2006) e Iannis Xenakis (1922 - 2001), a obra musical de Giacinto Scelsi (1905 - 1988) inclui as composições: 4 fragmentos sobre uma nota só (1959), Trilogia - As três idades do homem (1967) e Cantos de Capricórnio (1962/1972), entre tantas outras de difícil classificação por não revelarem antecedentes óbvios, não pertencerem a escolas específicas e não se vincularem a um sistema musical identificável. Em vários espectos, seu trabalho encontra paralelo com o de Walter Smetak (1913 - 1984), compositor suíço radicado no Brasil.
Tendo adotado uma rubrica zen - um círculo sublinhado por um traço - com a qual eventualmente assinava seus trabalhos, Scelsi nem mesmo se considerava um compositor, dizendo-se antes um "simples carteiro, com as solas gastas entregando daguerreótipos cheios de sonhos". Tinha uma fixação pelo número 8 e redumiu as suas idéias sobre vida e arte em um texto intitulado Octólogo. Composto apenas por 8 ítens em tradução feita por Augusto de Campos, foi o ponto de partida para a elaboração das propostas dos artistas do coletivo n ú c l e o.

1
Não se tornar opaco
nem se deixar opacizar

2
Não pensar
deixar que pensem
os que precisam pensar

3
Não a renúncia mas o desprendimento

4
Aspirar a tudo
e não querer nada

5
Entre o homem e a mulher
a união
não o ajuntamento

6
Fazer Arte
sem arte

7
Ser o filho
e o pai de si mesmo
Não olvidá-lo

8
Não diminuir o significado
do que não se compreende.

Um dos meus trabalhos são ovos imersos em vinagre que assim perdem suas casas ao longo dos dias deixando transparecer a gema e a clara.
A exposição OCTÓLOGO - De 2 a 23 de Agosto no Espaço de Artes Helena Calil, praça Padre João, 34, centro. São José dos Campos. Das 9 às 17h. Com trabalhos de Ana Maria Bonfin (Pitiu), Akira Umeda, Célia Barros, Cleverson Teixeira, Giancarlo Ragonese, Lindsay Ribeiro, Paulo Pacini, Reiko Shimizu e Thiago Mild.