John Currin






"John Currin é um pintor cujo trabalho exige uma segunda observação. À primeira vista, suas pinturas, ou pelo menos os seus retratos, lembram a pintura da Renascença e do início do Maneirismo. Ao estilo dos Velhos Mestres, as insinuantes criações de Currin, questionam as tradições da pintura e como elas podem influenciar a percepção contemporânea. Numa segunda observação, o espectador percebe que o artista americano encheu suas imagens atraentes com noções de beleza e moralidade da era moderna. Os padrões estabelecidos pelas revistas de fofoca, com os seus clichês Kitsch, estão claramente expostos e gloriosamente caricaturados à maneira da"grande pintura". Bustos de dimensões exageradas, belezas desportivas soper-magras e os prazeres da vida familiar, mesmo na velhice, são motivos constantemente usados. Ele pinta nus, por vezes clássicos, outras vezes pornográficos e cenas banais da vida cotidiana que podiam ser retiradas de novelas de televisão. Mas por baixo desta aparentemente suave superfície de estética de classe média alta, rapidamente descobrimos uma extrema fealdade. Risos histéricos, proporções físicas exageradas de forma grotesca, humor de mau gosto e decadência física, cujo elegante ornamento mal pode esconder, estragam sutilmente o prazer sensual das pinturas de Currin. Deslumbrantes e cínicas ao mesmo tempo, as pinturas criam uma tensão que o expectador é convidado a quebrar rindo daquilo que vê. Um exemplo típico é o Park City Grill, de 2000, no qual é visto um casal namorando. Mas a atitude casual tensa e beleza convencional traem a artificialidade e cinismo do mundo em que vivem."

In: Art Now, Taschen.

http://www.artnet.com/artist/162626/john-currin.html