Matthew Barney



"Cada detalhe das suntuosas esculturas e filmes de Matthew Barney - desde a cor, forma e material, até os trajes, caráter e locais - faz parte de um código que constitui um mundo paralelo intrincadamente imaginado. Nos seus primeiros trabalhos, Barney sujeitou-se a penosas provas de resistência, tais como escalar nu as paredes e teto de uma galeira (Blind Perineum, 1991), explorando temas de gênero, identidade e atletismo que se mantém como pontos centrais do seu trabalho. Desde 1994 que Barney está absorvido com a idéia de CREMASTER, um drama em cinco partes de proporção wagneriana. Cada parte inclui um filme, um grupo de objetos, um livro de imagens estáticas e um cenário específico que define a sua atmosfera, aparência formal e conteúdo. Apesar de haver pouco diálogo, os filmes possuem uma estrutura narrativa na qual Barney desempenha o papel de protagonista central com um elenco de apoio de fadas sexualmente ambíguas, coristas à Busby Berkeley ou policiais a cavalo. Cada filme está repleto de símbolos e ações que sugerem a reprodução sexual enquanto a envolvem em mistério. O trabalho tem o nome do músculo cremáster, que controla o levantar e baixar dos testículos e também é responsável pela descida dos órgãos reprodutores na fase fetal. Como tal, pode-se ler-se como uma alegoria elaborada sobre o processo de diferenciação sexual. Mas esta leitura é obscurescida pela vista de outras referências am cada trabalho, retiradas da cultura local, história recente ou a própria história pessoal de Barney para criar uma narrativa mitológica de diversos níveis com os seus heróis, símbolos e rituais únicos."

In:Art Now, Taschen.