Ernesto Neto






"As naves de Ernesto Neto são uma espécie de tendas em lycra que envolvem os espectadores em ambientes transparentes e multidimensionais. Essas Naves (naves espaciais) estão suspensas, ancoradas, equilibradas no espaço da galeria por meio de contrapesos cheios de areia e de outros materiais. Neto cria assim instalações à escala da sala, tais como It happens on the friction of the bodies, 1998 e We fishing the line 1999, que utilizam materiais maleáveis para criar colunas suspensas do teto e cheias de caminhos de cúrcuma e de cravo-da-índia. Além de dar cor à base das colunas, as especiarias espalham ricos aromas na galeria. Estes contentores, deformados pelo peso dos seus conteúdos, estão dispostos de uma maneira lúdica, de modo a rodear os espectadores e ativar os seus sentidos. O corpo está em primeiro plano na prática artística de Neto. Um grande número de suas peças são ventres. Podem-se estabelecer comparações formais, conceituais e metafóricas entre a matéria da obra, a pele humana e as membranas arquiteturais, todas elas sendo barreiras e portas simultaneamente. Embora o trabalho de Neto seja sensual e orgânico, ele está também atento à geometria, à ordem e ao equilíbrio, numa oposição aparente que desempenha um papel-chave na arte brasileira a partir de meados do século XX. Trabalhando na tradição do movimento Neoconcreto, Neto utiliza pobres materiais para seduzir o espectador associando ao mesmo tempo as suas abordagens emocionais à realização de obra de arte. Na sua exploração de sensualidade doa materiais, dá também uma grande importância às preocupações da escultura, como a massa, a cor e a forma"
In: Art Now. Taschen.