Sylvie Fleury






"Os cuidadosos arranjos de belos sacos ou embalagens de cosméticos caros marcaram o início de Sylvie Fleury no começo dos anos 90. Alguns críticos interpretaram isto como um comentário ao caráter comercial da sociedade de consumo. A apresentação destes proimeiros trabalhos já parecia sugerir uma profunda simpatia em relação à estética da Arte Pop e Minimalismo. Fleury avançou rapidamente, apropriando-se de criações famosas de artistas masculinos, através da produção de cópias evidentes nas quais aplicou pêlo falso, que conferiram um toque de sedução tátil. No final dos anos 90, ela expandiu o seu imaginário passando a englobar domínios por vezes tipicamente 'masculinos', tais como desportos motorizados e limusines personalizadas. A crescente complexidade do seu trabalho, no qual se sobrepõe várias sensibilidades estéticase campos de referência, torna difícil prever o desenvolvimento futuro de Fleury. Com os seus últimos trabalhos e projetos de exposições, Fleury dá a impressão de já não desejar ser identificada com o clichê da fotogênica 'material girl'. Estas letras S.F. - que podem ser interpretadas como sendo as iniciais da artista ou abreviatura de Science Fiction - formam o título da sua maior exposição deste século, na qual ela articula o seu facínio por Zen, New Age e outros sistemas espirituais. Em entrevistas, Fleury sublinhou muitas vezes o termo 'veículo' para descrever os seus trabalhos. Começando pelo corpo, que serve como veículo para a alma, ela considera atualmente também os sapatos, automóveis e foguetes espaciais como instrumentos de propulsão, não apenas físicos, mas também espirituais."
Sylvie esteve no Brasil na 24a Bienal de São Paulo, onde criou um ambiente em 'First spaceship on Venus and others vehicles', um bosque de foguetes multicoloridos feitos em fibra de vidro, que podem ser interpretados como batons apontados para o céu. Eles emitiam música ambiente entremeada de frases do tipo: "cuide de seu corte de cabelo" ou "divirta-se".