Elke Krystufek

2614275981_4450f8676f Europa arbeitet in Deutschland Woman of Colour 1970elke (2) 1244983987605 Liquid Logic   Vera Lischkova  2007

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“Acho que a arte é como um orgasmo, mas se o sexo for aborrecido, não quero fazê-lo”*

Na sua lendária performance na abertura da exposição do grupo < JEZTZEIT> em 1994, na Kunsthalle Wien, Elke Krystufek desnudou os seios e se masturbou na frente dos convidados no dia da abertura, entre os quais se incluía a mãe. Nesta atmosfera intimista, Elke começou a masturbar-se deleitada, primeiro com a mão e depois com um pênis artificial de plástico vibrador. A seguir, a artista encheu a banheira de água e tomou um banho relaxante.

“ O que à primeira vista pode parecer uma provocação vulgar e narcisista, ignorando a distinção entre privado e público, torna-se num jogo deliberado em que a ordem social e a sua atribuição normativa inconsciente, procurando determinar todas as expressões da sexualidade, são conscientemente subvertidas. (…)

Elke Krystufek começa por descodificar a definição de sexualidade, servindo-se deste processo para seu próprio prazer. Na performance acima mencionada, ela apóia-se no prazer derivado do olhar, na penetração quase voyeurista do espectador na esfera íntima das vidas de outras pessoas (inventadas ou imaginadas)”

A obra de Elke Krystufek não compreende apenas performances, abrangendo vídeos deliberadamente amadores, instalações forçadas, muitos desenhos completados com textos, colagens, pinturas biograficamente coloridas, dos “problemas típicos das mulheres” como a anorexia.

Krystufek assume a identidade dos ícones femininos: na série de fotografias Marilyn speaking (Discurso de Marilyn) de 1997, como nas outras obras, ela joga com o lugar-comum do símbolo sexual de Hollywood, usando cuidadosamente essa máscara para refletir sobre os seus próprios desejos, fraquezas e aspirações.

“Como acontece muitas vezes na recepção dos seus filmes, a identificação de Krystufek com uma superestrela é induzida pela visão de um ego melhor, embora isso reflita também a falha concreta do ideal desejado. Este duplo impulso no momento de tensão, quando ficção e vida se encontram, pressupõe um conceito de subjetividade que se vê a si mesmo quer como autêntico quer como encenado. Só na relação com os outros, isto é, com os ídolos do cinema, da música ou do mundo da arte, Krystufek desenvolve um sentimento de sua própria identidade e corporalidade.”

*In: Raimar Stange. Mulheres Artistas. taschen.

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