Kiki Smith









"O corpo é o nosso denomindador comum e o palco dos nosso prazeres e tristezas. Quero exprimir através dele aquilo que somos, a forma como vivemos e morremos."*

Filha da cantora de ópera Jane Smith e do artista minimalista Tony Smith, Kiki Smith foi criada no seio de uma família de artistas.
Teve interesse pela arte popular e pelo artesanato, admirando o trabalho de Frida Kahlo. Passou um ano em São Francisco vivendo com o grupo rock Tubes.
Foi estudar para Hartford School of Art, em Connecticut, onde passou três períodos letivos, desenhando naturezas-mortas, principalmente caixas de comprimidos e maços de cigarros. Mais tarde, viu o encontro com estas substâncias nocivas como começo do seu facínio artístico pelo corpo.

Em 1976, Smith mudou-se para New York, trabalhando no Tin Pan Alley Bar e tornando-se membro do grupo de artistas Collaborative Projects Inc. (Colab) que tinha a particularidade de transformar criativamente objetos do cotidiano e de os vender em A More Shop.
Em 1979 ganhou do pai um exmplar da Anatomia de gray. Em 1980, mostrou pela primeira vez os seus desenhos anatômicos em grande formato numa exposição coletiva. A primeira reação à morte do pai, Hand in Jar de 1983, foi introduzir uma mão de látex que tinha encontrado na rua no aquário dela (e mais tarde um frasco de vidro) e deixar que as algas se acululassem nele.
A ressurreição, a reanimação e a regeneração tornaram-se as questões da sua obra.

Em Ribcage (Grelha costal) de 1987, Shiled (escudo) de 1988 (um ventre grávido como escudo), Womb (Útero) de 1986 (um útero em forma de duas metades de noz vazias) ou Second Choice ( Segunda escolha) de 1987 (vários órgãos, como se fossem frutos numa fruteira de cerâmica, como reação ao comércio de órgãos). Apropriando-se do herói homúnculo de Mary Shelley, que admirava na sua juventude, Smith apelidou-se a si própria de Kiki Frankenstein.

Kiki Smith vai buscar inspiração às obras de arte históricas como o Retábulo de Isenheim, pintado por Grünewald, às figuras bíblicas e mpiticas como Lilit, a esposa de Lot ou Maria madalena, mas também aos seus próprios sonhos.
Em Getting the Bird Out de 1992, um pássaro que levantava vôo de uma boca humana, ela estabelecia uma relação entre homem e animal, passando a ver o mundo como um todo na realidade das suas dicotomias.
Desenvolveu conjuntos poéticos para a exposição Paradise Cage de 1996, no Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, ela e o grupo de arquitetos da Coop Himmelb(i)au produziram um impressionante cenário cósmico de estrelas e 28 animais de vidro.
No seu vídeo Nigth Time Wolf de 1999, uma animação de desenhos processada digitalmente, um lobo branco é mostrado contra um fundo escuro, movendo-se incansavelmente para um destino desconhecido - o futuro - mas olhando, entretanto, diretamente para o espectador.
"Os trabalhos de Kiki Smith unem passado e futuro numa visão que torna os excessos do presente e o papel do indivíduo no mundo mais compreensível. Cria um novo sentimento pela natureza e pelo corpo humano, dá-lhes novo significado num mundo virado para a técnica e a ciência, provoca a reflexão com inagens chocantes mas igualmentes poéticas."

* In Ulrike Lehmann. Mulheres Artistas. Taschen.